A importância do tratamento do HIV

Autora: Magaly Lyra, Farmacêutica da Seção de Análises Clínicas do DQV/UFRPE.

Com o surgimento do tratamento antirretroviral (TARV), a Síndrome da Imunodeficiência Adquirida (AIDS), causada pelo vírus da imunodeficiência humana (HIV), tem deixado de ser uma doença grave e tem sido considerada uma doença crônica e controlável, em função da melhoria da qualidade de vida e das condições de saúde das pessoas que vivem com HIV em uso de TARV. Além da melhoria da saúde, o TARV reduz consideravelmente a transmissão do vírus e prolonga os anos de vida dos pacientes (MEDEIROS, FARIA e PICCININI, 2021).

O uso correto dessas medicações tem possibilitado suprimir a replicação do vírus, ou seja, impedindo multiplicação do vírus no organismo, e restaurar parcialmente o sistema imunológico das pessoas que vivem com HIV, levando à redução das complicações relacionadas a imunodeficiência (FLORESTO et al., 2017). 

Por isso, o tratamento deve ter início precoce e não ser interrompido, pois os resultados obtidos com o tratamento, que seria a redução progressiva da carga viral e a manutenção e/ou restauração do funcionamento do sistema imunológico, têm sido associados a benefícios marcantes na saúde física das pessoas soropositivas e permitido que elas retomem e concretizem seus projetos de vida (OLIVEIRA et al., 2020).

No Brasil, entre as estratégias para combater a epidemia, destaca-se a política de distribuição universal e gratuita dos medicamentos antirretrovirais aos portadores do HIV e doentes de AIDS que necessitem de tratamento (OLIVEIRA et al., 2020).

O exame de sangue para o HIV é feito com o objetivo de identificar a presença do vírus e a sua concentração no sangue, dando informações sobre o estágio da infecção. Mas a detecção da carga viral pode não ser conseguida na análise laboratorial, o que não significa a ausência de vírus circulantes no sangue. Quer dizer que a quantidade de vírus circulando no sangue é tão baixa que não pode ser detectada pelo exame usado. Por isso, tem pessoas que é soropositiva pra o HIV, mas não possui carga viral detectável. Alguns pesquisadores relatam que quem vive com HIV, faz tratamento com a TARV e tem carga viral indetectável, não transmite o vírus. Ou seja, seria possível ser portador do HIV e viver sem transmitir o vírus, mas ainda há muitas controvérsias para que seja aceito esse fato como universal, pois o paciente precisa ter o tratamento contínuo (BRITO-JUNIOR, COELHO e MERHY, 2021).

De acordo com o UNAIDS – Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/AIDS (2004), com a escolha certa de medicamentos antirretrovirais, os níveis virais cairão ao longo de vários meses para níveis indetectáveis e permitirão que o sistema imunológico comece a se recuperar.

Por isso, o tratamento deve ser iniciado o mais cedo possível, mesmo em pessoas com imunidade normal. Não se pode esperar a imunidade baixar para iniciar o tratamento, pois o vírus circulando no sangue provoca muitas outras complicações ao organismo, muito além da queda da imunidade.

Referências

 BRITO-JUNIOR, M. S.; COELHO, K.S.C.; MERHY, E.E. Carga viral indetectável do vírus da imunodeficiência humana no sangue e a correlação com o sêmen: um estudo de revisão sistemática proporcionando o conhecimento dos profissionais no Sistema Único de Saúde. Saúde em Redes, 7(2), 2021.

FORESTO, J.S.; MELO, E.S.; COSTA, C.R.B.; ANTONINI, M.; GIR, A.; REIS, R.K. Adesão à terapêutica antirretroviral de pessoas vivendo com HIV/aids em um municípiodo interior paulista. Rev. Gaúcha Enferm., 38 (1), 2017.

MEDEIROS, F.B.; FARIA, E.R.; PICCININI, C.A. Maternidade e HIV: Continuidade do Tratamento e Adesão em Mulheres após Parto. Psico-USF 26 (1), Jan-Mar, 2021.

OLIVEIRA, R.S.; RIBEIRO-PRIMEIRA, M.; SANTOS, W.M. PAULA, C.C.; PADOIN, S.M.M. Associação entre suporte social com adesão ao tratamento antirretroviral em pessoas vivendo com o HIV. Rev. Gaúcha Enferm., 41, 2020.

UNAIDS – JOINT UNITED NATIONS PROGRAMME on HIV/AIDS (CH). An ambitious treatment target to help end the AIDS epidemic. Geneva: UNAIDS; 2014.


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