Saúde bucal e qualidade de vida no trabalho

Autoras:
Ayonara Dayane Leal da Silva, Técnica em Saúde bucal CAS/DQV/UFRPE, Odontóloga, Mestranda em Ciência e Tecnologia em Saúde – UEPB.
Marina Ferreira de Medeiros Mendes, Coordenadora de Atenção à Saúde – CAS/ DQV/UFRPE, Doutora em Saúde Internacional – IHMT- Portugal.

A saúde e o trabalho são partes integrantes e interligadas no desenvolvimento humano. A saúde bucal tem importância na saúde geral e ocupacional e precisa ser incentivada e acompanhada de forma integrada na sociedade, empresas e instituições. Os custos sociais e econômicos da elevada incidência de doenças bucais e de dor orofacial na população produtiva brasileira são consideráveis, pois repercutem diretamente na produtividade [1].

As doenças bucais podem afetar a alimentação, o sono, a fala, a comunicação, a interação social e a autoestima dos indivíduos, acarretando dificuldades nas suas atividades diárias e trazendo como consequência prejuízos à qualidade de vida [2]. Os agravos bucais causam prejuízos que podem levar diretamente a incapacidades ou sintomas como dor, desconforto, limitação funcional e insatisfação com a aparência física.

Destaca-se que condições bucais precárias podem acarretar absenteísmo e declínio na produtividade. Alterações de humor e comportamento são notados naqueles trabalhadores que sofrem, por exemplo, com dor de dente. Além de estarem mais propícios a erros e acidentes de trabalho, as relações interpessoais também podem ser prejudicadas por irritação e intolerância [3].  Por esta razão, em muitos casos os problemas de saúde bucal podem impactar negativamente   no   desenvolvimento   de   suas   atividades   laborais, resultando nas ausências ao trabalho [4].  

Estudos demonstram que a dor orofacial pode alterar a qualidade de vida mais do que outras condições sistêmicas, como úlceras, diabetes e pressão alta. “Indivíduos nessa condição vivenciam grandes mudanças no seu dia a dia, incluindo dias de trabalho perdidos, ficando isolados em casa, evitando amigos e a família, preocupando-se com as condições bucais, tomando medicamentos e evitando certos alimentos. Os problemas bucais constituem uma incapacidade da atividade produtiva, com efeitos sobre a capacidade de trabalho e a qualidade de vida, além do prejuízo para as instituições e para sociedade” [5].

A capacidade para o trabalho foi associada com a autopercepção de saúde bucal, particularmente no domínio dor física, o que justificaria ações de promoção, proteção e recuperação de saúde bucal dirigida a trabalhadores. Informações educativas sobre a saúde bucal no ambiente de trabalho, assim como exames periódicos, também são de extrema importância não só para monitorar a saúde e o bem-estar, mas para integrar atividades ocupacionais e cuidados de saúde [6].

A literatura científica aborda vários aspectos que relacionam a qualidade de vida, a saúde, a produtividade e a segurança no trabalho. Nesse contexto, cabe ressaltar a Campanha Abril verde, a qual aborda um mês dedicado à prevenção de acidentes do trabalho e de doenças ocupacionais. Desenvolvem-se ações para a conscientização sobre a prevenção em relação à segurança e à saúde do trabalhador.

O Departamento de Qualidade de Vida –DQV/PROGEPE/UFRPE desenvolve e apoia ações de promoção e prevenção à saúde. Em caso de dúvidas sobre o tema abordado, entrar em contato pelo e-mail: ssb.progepe@ufrpe.br

Referências:

1. Lima R B, Buarque, A. (2019). Oral health in the context of prevention of absenteeism and presenteeism in the workplace. Revista Brasileira de Medicina do Trabalho, 2019; 17(4), 594.

2. McGrath C, Bedi R. Can dental attendance improve quality of life? Br Dent J 2001;190:262-5.

3. Mota JNG, Wanderley FGC, Silva RA, Almeida TF. Absenteísmo por causa odontológica: uma revisão de literatura relacionada à ausência no trabalho e à saúde bucal do trabalhador. Revista da Faculdade de Odontologia-UPF, 2015; 20(2).

4. Lacerda JT, Traebert J, Zambenedetti ML.  Dor orofacial   e   absenteísmo   em   trabalhadores   da   indústria   metalúrgica   e   mecânica. Saúde   Soc.   2008;

 17:182-91.
5. Silva R. “Interfaces Sociais”. Revista da Associação Brasileira de Odontologia, vol. XIX, no. ISSN 0104-3072, Aug./Set. 2011, pp. 202–203, www.abo.org.br/uploads/files/2017/07/revista-abo-ed-109.pdf. Acesso:1 Apr.2022.

6. Palma PV, Leite ICG, Greco, RM. Associação entre a qualidade de vida relacionada à saúde bucal e a capacidade para o trabalho de técnicos administrativos em educação: um estudo transversal. Cadernos Saúde Coletiva, 2019, 27, 100-107.


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